DECORAÇÃO INTELIGENTE

Denise Menezes – Estado de Minas

Projeto de design deve permitir adaptação da casa às mudanças de hábitos do morador

Fotos: Eduardo Almeida/RA Studio

Antes de criar um projeto, designer Ednei Aquino sempre procura saber quanto tempo o cliente vai ficar no imóvel. Ela diz que é preciso pensar em móveis flexíveis, que possam ser usados em outros espaços

O bebê cresce e o lindo bercinho, cuidadosamente escolhido pela mãe, precisa ser substituído, para permitir mais conforto ao pequeno e sossego aos pais, que já vivem sobressaltados com as constantes escaladas, mas no espaço ocupado pela peça não cabe a nova cama. No lugar da cômoda com trocador também precisa ser providenciada uma bancada de estudos, pois o irmãozinho, um pouco mais velho, precisa de um ambiente tranquilo para ensaiar seus primeiros passos no instigante mundo da escrita e da leitura.

Mas o que fazer com o móvel que não tem mais utilidade na casa? Na sala, olhar para aquele móvel caríssimo feito em madeira, sob medida, há alguns anos, para apoiar a TV, o som e ainda guardar livros, dá até arrepios. Seu design está desatualizado e, como ocupa toda a parede principal do ambiente, ele impede que a nova televisão, moderníssima, tão esperada pela família, seja instalada de maneira adequada.

É, com o passar do tempo mudam as necessidades da família e as reformas para a adaptação dos ambientes da casa se tornam inevitáveis. Mas, segundo os especialistas, muitas dessas transformações de hábitos são previsíveis e um bom projeto de design de interiores deve ter flexibilidade e permitir, sempre que necessário, renovação dos espaços, com funcionalidade e custos razoáveis e sem a indesejada quebradeira.

Peças como mesa, aparador, cama box ou poltrona podem e devem ser reaproveitados no caso de mudar o estilo do imóvel   

“Antes de criar um projeto para um cliente, sempre procuro saber quanto tempo ele pretende ficar naquele imóvel. Essa perspectiva é importantíssima para que a decoração tenha funcionalidade, atenda as necessidades de uso daquela família pelo maior tempo possível. Pois todos nós passamos por ciclos na vida, onde hábitos, comportamentos e necessidades se transformam e a casa precisa estar preparada para essas mudanças ou permitir que adaptações sejam feitas sem grandes transtornos e gastos elevados”, diz a designer de ambientes Ednei Aquino, que vai além: “É preciso pensar até em elementos que possam ser reaproveitados pelo cliente caso ele decida se mudar de casa”.

Ela considera que hoje o mercado brasileiro oferece uma gama enorme de produtos que permitem maior flexibilidade à decoração. “Antigamente, tínhamos de criar as soluções para atender necessidades mais específicas de um cliente. Hoje, a dificuldade do leigo é identificar qual é a solução mais adequada a ele diante de uma verdadeira avalanche de produtos. Aí, entra uma das funções do profissional: indicar ao cliente o que é oportuno comprar e em que investir mais para ter uma decoração mais perene ou de fácil adaptação”, observa.

HARMONIA COM NOVO ESTILO

Denise Menezes – Estado de Minas

Em função do grande valor, especialistas sugerem peças flexíveis para compor ambiente e exercer novas funções

Uma das principais dicas dos profissionais para que a decoração de uma casa possa ser adaptada a uma nova realidade dos moradores, sem custos muito elevados, é o investimento em móveis que possam ser reaproveitados, no mesmo ambiente, em outro espaço e até em um novo imóvel. “Na decoração, o item mais importante, do ponto de vista do preço e também da ocupação de espaços, é o mobiliário. Portanto, comprar móveis flexíveis, que possam ser transformados, para se harmonizar com um novo estilo ou para exercer uma nova função, com a troca de uma porta, a substituição de puxadores, uma nova pintura ou um laqueamento, por exemplo, é fundamental para preservar o investimento do cliente”, diz a decoradora Deusicléia Horta.

Ela observa que, por isso, é importante saber identificar peças que possam ser renovadas de maneira mais fácil e menos onerosa. “Um armário de madeira, por exemplo, com um desenho datado e feito sob medida dificilmente poderá ser reformado sem um custo alto. Hoje, são poucas as empresas de marcenaria que fazem esse tipo de serviço e as que fazem cobram caro, porque a reforma costuma ser mais trabalhosa do que a produção de um móvel novo.”

Na mesma linha de raciocínio, a designer Ednei Aquino considera que a escolha dos móveis deve ser bem criteriosa. “Sempre aconselho o cliente a investir em móveis que tenham beleza, um bom desenho, que não se prendam a uma tendência de momento e permitam conforto, além de boa qualidade de fabricação, feitos a partir de materiais que aguentam o passar do tempo. Assim, peças como mesa, aparador, cama box ou poltrona podem e devem ser reaproveitados não só em caso de uma nova decoração, mas também levados para outro imóvel, sem maiores problemas”, assinala. Ela recomenda também o investimento em pelo menos uma peça de design consagrado que, em sua avaliação, se bem colocada, valoriza qualquer projeto de decoração.

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