Arquivo para novembro \20\UTC 2008

Ednei Aquino e Jum Nakao

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Ednei Aquino e Jum Nakao - Foto: Fabíola Brambila

Ednei Aquino e Jum Nakao em palestra proferida por ele para arquitetos e decoradores na CNR.

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Caderno Classificados Imóveis – Jornal Estado de Minas

Identidade é fundamental

 

 Denise Menezes – Estado de Minas

 

Fotos, móveis antigos e louças de família conferem ‘alma’ à decoração da casa

Wagner Silveira/Divulgação
Uma opção no quarto é o painel com fotos do casal acima da cama, preservando (E). Objetos e suvenires comprados em viagens compõem bem a decoração da sala de estar (D).

Fotografias que eternizaram momentos felizes vividos em uma viagem, um móvel herdado dos avós ou uma louça que está com a família há muitas gerações. Mais do que quinquilharias, esses objetos são peças importantes para dar identidade à decoração de uma casa. Afinal trazem consigo toda a memória afetiva da família e, estrategicamente posicionados nos ambientes, são responsáveis por aquela sensação gostosa de conforto e aconchego que todos buscam em casa.

“Esses elementos dão ‘alma’ ao ambiente”, opina a decoradora Ednei Aquino. Ela preserva em todos os seus projetos peças que, de alguma forma, são importantes para seus clientes. Assim, as fotos mais queridas ganham destaque em uma galeria montada em um corredor, uma coleção de suvenires adquiridos ao longo do tempo em viagens e passeios pode ocupar um espaço especial em uma sala, e uma poltrona antiga, herdada da casa de algum parente, pode embalar, em um escritório ou sala íntima, horas de leitura ou descanso.

Ednei considera que, mesmo a pessoa que não tem o hábito de guardar objetos ou ainda não tem consigo alguma peça de família pode usar esse tipo de elemento na decoração de sua casa. Antiquários e feiras de quinquilharias, diz a decoradora, são locais onde se pode garimpar peças que tenham a ver com a nossa cultura e modo de viver, que contribem para personalizar a nossa casa.

Gladyston Rodrigues/AOCUBO FILMES
Segundo a decoradora Ednei Aquino, mesmo quem não tem peças antigas em casa pode garimpá-las em antiquários e feiras

“Recentemente, resgatei no Velhão, uma loja de 5 mil metros quadrados de quinquilharias, em São Paulo, uma porta antiga para a entrada do apartamento de um cliente”, conta Ednei. Ela observa que as feiras de antigüidades guardam verdadeiras preciosidades, como louças, cristais e mobiliário, que preservam em suas formas hábitos antigos, mas ainda presentes no DNA do brasileiro. “Um casal jovem, por exemplo, que não tenha ainda acumulado muitos objetos ou herdado peças de família, pode buscar nesses locais elementos carregados de memória, que, certamente, vão conferir identidade à decoração de sua casa”.

Ela avalia que aqueles ambientes “limpos”, com tudo novinho e milimetricamente posicionado, ficam bem em um showroom e não em uma residência. “Tenho verdadeira ojeriza de ambientes com cara de loja. Eles não têm personalidade e, muitas vezes, refletem o gosto do decorador e não o de seus usuários”, afirma.

ESCRITÓRIOS A decoradora lembra que ambientes de trabalho, como escritórios e consultórios, também podem ser personalizados com objetos pessoais. “O uso de fotos da família já é comum, mas é possível levar para os ambientes profissionais outros elementos, como as coleções. Em um consultório médico, por exemplo, podemos colocar uma coleção de estetoscópios”, sugere.

Ela alerta, porém, que a decoração só vai alcançar um bom efeito estético se a seleção e o posicionamento das peças forem feitos com critério. Por isso, recomenda buscar ajuda de um profissional da área. “É preciso saber o que é realmente aproveitável, o que pode ser harmonizado com outros elementos, para que o resultado seja satisfatório”.

Com a ajuda de um profissional, observa a decoradora, até objetos sem valor artístico ou financeiro, mas que tenham importância afetiva para os moradores de uma casa, podem ser preservados na decoração. Nesse caso, eles devem deixar os ambientes sociais da residência e ocupar espaços mais íntimos, sem perder a função de trazer ao morador as sensações de conforto e aconchego.

Ednei defende que a decoração de uma casa deve refletir o gosto e o modo de vida dos moradores. “O importante é que a pessoa fique feliz. Usar elementos que não estejam em dia com as tendências do momento, mas que agradem aos moradores da casa, não significa fazer uma decoração ruim. Na verdade, isso cumpre o objetivo principal da decoração, que é trazer bem-estar aos usuários de um ambiente”, afirma.